Metallica
Da velocidade inicial a composições mais amplas e a uma projeção internacional inédita.
Do underground dos anos 1980 ao thrash de hoje
O thrash tomou forma no começo dos anos 1980, quando bandas de heavy metal levaram riffs, bateria e composição a uma nova intensidade, sem perder a urgência do punk. Metallica, Exodus, Slayer e Anthrax abriram caminhos diferentes nos Estados Unidos; Kreator, Sepultura, Voivod e outras bandas transformaram essa linguagem em suas próprias cenas. As gerações seguintes mantiveram o estilo vivo ao mudar o que haviam recebido.
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No início da década, Metallica e Exodus trabalhavam na Califórnia a partir de uma escuta que misturava o heavy metal britânico com a agressividade do punk. O Metallica havia se formado em Los Angeles, mas encontrou na região da Baía de São Francisco uma rede de shows, lojas, rádio e troca de fitas em que a nova música podia crescer. O Exodus já fazia parte dessa cena e ajudou a estabelecer um ataque de guitarra mais direto e físico. Em Los Angeles, o Slayer levou velocidade e tensão para um extremo mais sombrio.[1][2][3]
Na costa leste, Anthrax, Overkill e Nuclear Assault partiam de outro ambiente. Nova York aproximava clubes de metal e hardcore, e o Anthrax ainda cresceria ouvindo o hip-hop que surgia na mesma cidade. Entre essas bandas, o peso rítmico e a velocidade funcionavam de maneiras diferentes. O que as aproximava era a disposição de reconstruir o heavy metal com os recursos de cada cena.[1][2]
Enquanto as primeiras bandas americanas começavam a gravar, fitas e demos já atravessavam o Atlântico. O Kreator surgiu em Essen e o Sodom em Gelsenkirchen, duas cidades da região industrial do Ruhr. O Destruction veio de Weil am Rhein, no extremo sul da Alemanha Ocidental. As três bandas ouviam heavy metal britânico e punk, mas trabalhavam essas referências com menos polimento e uma sensação maior de perigo.[1]
O Sodom adotou guitarras ásperas, bateria direta e letras marcadas por guerra e violência. O Kreator fez das mudanças rápidas de riff e do ataque contínuo uma disciplina própria. No Destruction, a guitarra ganhava formas mais angulares, com viradas que aproximavam velocidade e precisão técnica. Cada banda encontrou uma maneira diferente de levar o thrash a um território mais extremo.[1]
Selos como Noise Records e SPV, as turnês e a troca internacional de fitas permitiram que essas bandas circulassem muito além de suas cidades. O trabalho que produziram durante os anos 1980 influenciaria diretamente o death e o black metal, além de estabelecer uma tradição alemã que continuou ativa nas décadas seguintes.[1]
Em Jonquière, no Québec, o Voivod construiu sua música em torno de uma imaginação própria. As ilustrações e histórias de ficção científica criadas pelo baterista Michel “Away” Langevin davam forma ao universo da banda, enquanto a guitarra de Denis “Piggy” D’Amour usava acordes dissonantes e intervalos pouco comuns no metal. O resultado mantinha a velocidade do thrash, mas alterava a sensação de equilíbrio dos riffs.[1]
Na Suíça, o Coroner seguiu outro caminho. O trio combinava execução precisa, estruturas progressivas e mudanças rítmicas sem perder o peso físico da música. A técnica servia para criar tensão: riffs se interrompiam, retornavam de outra forma e exigiam da bateria uma flexibilidade que o thrash mais direto raramente pedia.[1]
O Sepultura nasceu em Belo Horizonte em 1984, dentro de uma cena que construía sua própria infraestrutura com poucos recursos. A loja e o selo Cogumelo, os fanzines, as fitas copiadas e o equipamento dividido entre bandas permitiam que a música circulasse. O som dos primeiros anos era cru e próximo do death e do black metal que ainda estavam tomando forma.[1][2]
Com a entrada de Andreas Kisser, o Sepultura ganhou maior precisão sem perder a aspereza da cena mineira. A banda passou a trabalhar riffs mais definidos, arranjos mais extensos e uma bateria capaz de alternar velocidade e peso. Beneath the Remains, de 1989, levou essa formação a um público internacional e abriu uma sequência em que o grupo continuaria transformando seu próprio som.[1][2]
Em São Paulo, o Ratos de Porão fazia o caminho a partir do punk. A banda incorporou guitarras e estruturas do metal enquanto preservava os vocais em português, a concisão do hardcore e uma leitura direta da violência social brasileira. O encontro entre thrash e hardcore ganhou aqui uma história própria, ligada às condições das cenas de Belo Horizonte e São Paulo.[1]
No começo dos anos 1990, o thrash já havia mudado o vocabulário do metal. Death metal, black metal e hardcore tinham absorvido sua velocidade e seus riffs; o groove metal começava a trabalhar o mesmo peso em andamentos mais lentos. As bandas que vinham da década anterior precisavam decidir como continuar.[1][2]
O Metallica reduziu a duração e a quantidade de mudanças em suas composições, levando uma forma mais direta de peso a um público muito maior. O Megadeth aproximou precisão técnica, melodias mais claras e estruturas compactas. Essas escolhas ampliaram o alcance das duas bandas, mas também mudaram o que parte do público esperava ouvir quando encontrava o nome thrash.[1][2]
O Sepultura seguiu em outra direção. A banda incorporou groove, hardcore e elementos rítmicos brasileiros, fazendo de Chaos A.D. um ponto de passagem entre fases distintas de sua história. O Testament atravessou a década aumentando a presença do death metal em sua música e chegou ao fim dos anos 1990 com uma formação mais pesada. O thrash permaneceu ativo porque seus artistas aceitaram trabalhar fora da fórmula que os havia consagrado.[1][2]
No começo dos anos 2000, o Municipal Waste retomou a relação entre thrash e hardcore a partir da cena de Richmond, na Virgínia. As músicas eram curtas, os vocais diretos e os shows dependiam da proximidade entre banda e público. A velocidade voltava a servir ao movimento da sala, com humor e uma consciência explícita das bandas de crossover dos anos 1980.[1][2]
O Power Trip surgiu em Dallas alguns anos depois com outro peso. A banda conservava a economia do hardcore, mas trabalhava riffs mais densos e uma produção menos presa à aparência dos discos antigos. Em vez de reconstituir uma época, usava o encontro entre metal e punk como parte natural da cena em que havia se formado.[1]
O Enforced levou essa aproximação a um som mais severo, próximo do death metal, também a partir de Richmond. Em São Paulo, a Nervosa construiu desde 2010 uma trajetória internacional conduzida por mulheres e ligada à escola mais rápida e agressiva do thrash. Essas bandas mostram como a história continua em lugares diferentes, com novas formações e outras relações com o hardcore e o metal extremo.[1][2]
Da velocidade inicial a composições mais amplas e a uma projeção internacional inédita.
O ataque de guitarra e a força dos shows que ajudaram a formar a cena de São Francisco.
Velocidade, tensão e uma abordagem mais sombria da música extrema.
Thrash em contato com hardcore, cultura urbana e hip-hop.
Riffs complexos, mudanças rápidas e uma escrita de guitarra imediatamente reconhecível.
A intensidade do thrash alemão atravessando quatro décadas de mudanças.
Um som áspero, próximo do punk e decisivo para formas mais extremas de metal.
Velocidade e riffs angulares dentro da primeira geração alemã.
Da cena mineira a uma trajetória internacional marcada por sucessivas reinvenções.
A ligação brasileira entre punk, hardcore, thrash e crítica social.
Dissonância, ficção científica e liberdade para alterar a estrutura dos riffs.
Precisão técnica usada para criar tensão e movimento.
Uma banda que levou sua base thrash para territórios mais pesados.
A retomada do crossover no começo dos anos 2000.
Thrash e hardcore reunidos como música do presente.
Uma aproximação entre crossover, death metal e produção contemporânea.
Thrash brasileiro construído por mulheres e levado a uma circulação internacional.
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Garimpar thrash metalPonto de partida indicado para a página; cronologia, termos e fronteiras discutidas foram conferidos nas fontes abaixo.
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