História do estilo

Synth pop

O synth pop tomou forma no fim dos anos 1970, quando o sintetizador deixou de ser um efeito futurista e passou a fazer o trabalho da banda inteira: baixo, ritmo, acordes e ruídos. Em cidades como Sheffield, Leeds e Basildon, músicos que haviam aprendido com o punk começaram a montar canções com poucas máquinas, vozes marcantes e refrões que ficavam no ouvido.

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Como o sintetizador foi parar no centro do pop

Antes de existir o nome synth pop

No começo dos anos 1970, o Kraftwerk já fazia música popular com poucos elementos: batidas regulares, melodias curtas, vozes tratadas e muita repetição. Em 1977, Giorgio Moroder e Donna Summer levaram essa ideia para a pista com I Feel Love. O baixo sequenciado conduzia a faixa do começo ao fim.[1][2]

O punk mostrou que dava para começar com pouco

Quando os sintetizadores ficaram menores e mais baratos, uma geração que vinha do punk se apropriou deles sem pedir licença. O Human League apareceu em Sheffield; o OMD, no Wirral; o Soft Cell se formou em Leeds; Depeche Mode e Yazoo vieram de Basildon. Cada grupo soava de um jeito, mas todos descobriram que algumas máquinas e uma voz já bastavam para montar uma canção inteira.[1][2]

Em 1981, o som deixa de ser novidade

Dare, Architecture & Morality e Non-Stop Erotic Cabaret saíram no mesmo ano e chegaram às paradas por caminhos bem diferentes. O Human League apostou em refrões imediatos; o OMD fez um disco mais denso e grandioso; o Soft Cell manteve a crueza de um duo. Depois deles, já não fazia sentido tratar o synth pop como curiosidade de estúdio.[1][2]

Do Kraftwerk a Violator: uma história em sete momentos

  1. 1974 a 1978

    Kraftwerk e Donna Summer mostram dois caminhos para a eletrônica

    Nos discos do Kraftwerk, a repetição eletrônica fazia parte da composição. Em 1977, I Feel Love levou o baixo sequenciado para as pistas. Os grupos britânicos do fim da década encontraram aí duas referências: a canção eletrônica e a música de clube.[1][2]

    Die Mensch·Maschine
  2. 1978 a 1980

    Human League e OMD começam com pouco

    Human League e OMD gravaram com sintetizadores baratos, fitas e soluções caseiras. Como havia pouco dinheiro, os arranjos eram enxutos e os timbres nem sempre saíam como o esperado. Isso deixava bastante espaço para a voz.[1][2]

    The Human League
  3. 1981

    O synth pop chega às paradas

    Dare, Architecture & Morality e Non-Stop Erotic Cabaret mostram como esse som já era variado. Um tem pop de rádio, outro trabalha com corais e atmosferas, e o terceiro soa íntimo e áspero.[1]

    Dare
  4. 1982

    Alison Moyet põe a voz no centro do Yazoo

    Em Upstairs at Eric’s, Vince Clarke deixa os arranjos quase no osso. A voz grave de Alison Moyet ocupa o espaço que sobra. É difícil ouvir o disco e continuar chamando a música de sintetizador de fria.[1]

    Upstairs at Eric’s
  5. 1983 a 1984

    New Order leva o pós-punk para a pista

    O New Order não abandonou o baixo e a guitarra. Em Power, Corruption & Lies e nos singles do período, a banda colocou esses instrumentos ao lado de sequenciadores e baterias eletrônicas. O resultado vinha tanto do palco quanto do clube.[1]

    Power, Corruption & Lies
  6. 1985 a 1988

    Pet Shop Boys e Erasure escrevem para o rádio e para a pista

    Na segunda metade dos anos 1980, Pet Shop Boys e Erasure trabalham com produções maiores, refrões imediatos e versões estendidas. Disco, hi-NRG e house entram nessas músicas sem apagar a forma da canção pop.[1][2]

    Introspective
  7. 1990

    O Depeche Mode chega a 1990 com Violator

    Violator junta sintetizadores, samples e guitarras, com bastante espaço entre os sons. É um disco escuro e popular. O Depeche Mode conseguiu circular pelo rock alternativo sem largar a eletrônica.[1]

    Violator

Nove artistas para entender o synth pop

  • KraftwerkPrecursor

    Kraftwerk

    Veio antes do nome, mas mostrou que ritmo eletrônico, repetição e melodias simples bastavam para sustentar uma canção.

  • Soft CellLeeds

    Soft Cell

    Com poucos equipamentos e a voz de Marc Almond bem na frente, o Soft Cell soava sujo, íntimo e teatral.

  • Depeche ModeBasildon

    Depeche Mode

    Mudou bastante ao longo da década: do pop econômico de Speak & Spell à produção escura e detalhada de Violator.

  • YazooBasildon

    Yazoo

    As sequências enxutas de Vince Clarke deixaram espaço para Alison Moyet cantar com peso de soul e blues.

  • New OrderManchester

    New Order

    Manteve o baixo e a guitarra do pós-punk e trouxe para as músicas a programação eletrônica que ouvia nos clubes de Nova York.

  • Pet Shop BoysLondres

    Pet Shop Boys

    Vida urbana, humor seco e cultura de pista aparecem lado a lado nas canções do Pet Shop Boys.

  • ErasureLondres

    Erasure

    Vince Clarke cuidava das melodias e dos arranjos; Andy Bell trazia uma voz exuberante e sem medo de soar emotiva.

O que muda quando o synth pop encosta em outros estilos

New wave
Cabe muito mais coisa

New wave é o nome mais amplo. Também inclui bandas de guitarra, ska, power pop e outras respostas ao punk. No synth pop, a eletrônica participa da estrutura da canção.

Post-punk
A origem é parecida

Os dois vieram do ambiente aberto pelo punk. O post-punk costuma deixar mais espaço para tensão, ruído e guitarras. No synth pop, a canção e o refrão ficam mais evidentes.

Electro e industrial
O ritmo e o timbre pesam mais

No electro, programação e síncope chamam mais atenção. No industrial, aparecem ruído, impacto e repetição agressiva. Quanto mais esses elementos dominam, mais o som se afasta do pop.

Disco e house
O foco está na pista

Disco e house trabalham com fluxo contínuo e repetição para o DJ. O synth pop bebe dessas fontes, mas costuma caber numa canção com começo, desenvolvimento e refrão.

Nove discos essenciais e o que ouvir em cada um

  • Die Mensch·Maschine

    Die Mensch·Maschine

    Kraftwerk · 1978

    1978

    A batida regular, as vozes tratadas e as melodias curtas mostram como o Kraftwerk fazia muito com poucos elementos.

  • Dare

    Dare

    The Human League · 1981

    1981

    Love Action, Open Your Heart e Don’t You Want Me mostram como arranjos eletrônicos enxutos podem carregar refrões enormes.

  • Architecture & Morality

    Architecture & Morality

    Orchestral Manœuvres in the Dark · 1981

    1981

    O OMD usa sintetizadores para criar peso, atmosfera e brilho pop. Joan of Arc e Souvenir são boas portas de entrada.

  • Non‐Stop Erotic Cabaret

    Non‐Stop Erotic Cabaret

    Soft Cell · 1981

    1981

    Tainted Love é o sucesso, mas o disco inteiro vale pelo contraste entre bases secas, vida noturna e a interpretação dramática de Marc Almond.

  • Upstairs at Eric’s

    Upstairs at Eric’s

    Yazoo · 1982

    1982

    Vince Clarke trabalha com poucas peças. A voz grave e rouca de Alison Moyet impede que o disco soe vazio.

  • Power, Corruption & Lies

    Power, Corruption & Lies

    New Order · 1983

    1983

    O baixo e a guitarra continuam reconhecíveis. Ao lado deles entram sequenciadores, baterias eletrônicas e o aprendizado das pistas.

  • Introspective

    Introspective

    Pet Shop Boys · 1988

    1988

    No Introspective, as músicas ficam mais longas e a produção se aproxima da house.

  • The Innocents

    The Innocents

    Erasure · 1988

    1988

    Chains of Love e A Little Respect têm melodias simples, produção brilhante e a voz aberta de Andy Bell.

  • Violator

    Violator

    Depeche Mode · 1990

    1990

    A produção usa o silêncio tão bem quanto os sintetizadores, samples e guitarras. Cada som entra no lugar certo e ganha peso.

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Fontes

  1. 1
    We were the first post-punk band: synth-pop's pioneers on how they changed music — The Guardian,

    Depoimentos de integrantes de OMD, The Human League, Heaven 17 e outros sobre os primeiros sintetizadores acessíveis e a liberdade prática herdada do punk.

  2. 2
    Synth Pop Music Genre Overview — AllMusic,

    Panorama dos elementos centrais do synth pop e de sua relação histórica com a new wave.

  3. 3
    Kraftwerk — Rock & Roll Hall of Fame,

    Perfil histórico do Kraftwerk e de sua influência sobre a música eletrônica popular que veio depois.

  4. 4
    Synth-pop: a beginner's guide — The Guardian,

    Leitura histórica sobre a passagem dos primeiros sons austeros e pós-punk para uma linguagem mais abertamente pop e voltada à pista.

  5. 5
    How Depeche Mode's Violator crossed the 1980s and won — Recording Academy,

    Análise de como Violator combinou síntese, samples e guitarra para levar o vocabulário eletrônico do grupo à década de 1990.

  6. 6
    I Feel Love: Donna Summer — Library of Congress,

    Ensaio do National Recording Registry sobre a produção eletrônica de I Feel Love e seu papel na linhagem da música de pista.

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