The Skatalites
O som instrumental que marcou a Kingston do começo dos anos 1960.
Uma história jamaicana em movimento
O reggae tomou forma entre os sound systems de Kingston, os músicos de estúdio e as mudanças de uma Jamaica recém-independente. Do ska e do rocksteady ao roots, ao dub e ao dancehall, sua história acompanha novas maneiras de criar, dançar e falar sobre a vida na ilha.
55.318 artistas encontrados
Harold George Belafonte Jr.
Dennis Emmanuel Brown
Gregory Anthony Isaacs
Robert Nesta Marley
Lucien Ginsburg
Herbert Jay Solomon
Robert Allan Palmer
James Chambers
Anthony Moses Davis
John Kenneth Holt
Grace Beverly Jones
Miguel Orlando Collins
Lincoln Barrington Minott
Paul Blake
Nas décadas de 1940 e 1950, os sound systems mudaram a vida musical de Kingston. Equipes montavam amplificadores e grandes caixas de som em pátios e salões; os seletores disputavam o público com discos importados, gravações exclusivas e a potência da aparelhagem. O baile era também um lugar de competição, trabalho e descoberta.[1][2]
Rua e estúdio funcionavam em circuito. Produtores observavam a reação da pista, músicos jamaicanos reelaboravam o que ouviam do rhythm and blues e do jazz norte-americanos, e novas gravações voltavam aos bailes para ser testadas diante do público. O mento e tradições afro-jamaicanas também estavam presentes nessa formação. Antes que o reggae tivesse nome, Kingston já havia criado a rede que o tornaria possível.[1][2]
Quando a Jamaica se tornou independente, em 1962, o ska ocupava os bailes, o rádio e os estúdios da ilha. O andamento veloz, os metais em primeiro plano e o contratempo marcado na guitarra e no piano reuniam influências locais e norte-americanas numa linguagem própria. The Skatalites deram forma instrumental a esse momento, com músicos que levavam para a música popular a formação no jazz e anos de trabalho em estúdio.[1][2]
Em meados da década, o entusiasmo da independência já convivia com desemprego, desigualdade e violência urbana. O rocksteady surgiu nesse ambiente com um desenho mais espaçoso: o andamento diminuiu, os metais recuaram e o baixo passou a conduzir as canções. Cantores e grupos vocais ganharam outra proximidade; em Alton Ellis, a mudança podia soar íntima mesmo quando a cidade ao redor endurecia.[1][2]
Por volta de 1968, o rocksteady começou a soar diferente nos estúdios e bailes jamaicanos. Baixo e bateria vieram ainda mais para a frente, enquanto guitarra e órgão marcavam o contratempo com outra firmeza. Foi nesse momento que a palavra reggae começou a circular, com Toots & The Maytals entre os artistas que ajudaram a torná-la conhecida.[1][2]
O roots cresceu dentro dessa nova linguagem ao longo dos anos 1970. O Rastafári já tinha uma história extensa na ilha, e a visita de Haile Selassie I, em 1966, deu maior visibilidade pública ao movimento. Suas referências à África, à libertação e a Babylon — nome dado às estruturas de opressão — encontraram no reggae uma linguagem de grande alcance. Fé e memória histórica apareciam ao lado da fome, da violência, dos conflitos políticos e da sobrevivência cotidiana.[1][2]
Cada artista ocupou esse campo à sua maneira. Burning Spear cantou a memória colonial como uma presença viva; Peter Tosh fez da música um lugar de confronto político. Judy Mowatt levou a experiência e a autoridade espiritual das mulheres negras ao primeiro plano, em sua carreira solo e como integrante das I-Threes. Bob Marley & The Wailers, por sua vez, apresentaram o reggae a um público internacional sem precedentes.[1][2]
Nos estúdios de Kingston, uma música podia continuar mudando depois que os músicos encerravam a sessão. Nas versões preparadas para os sound systems, produtores retiravam vozes, traziam baixo e bateria para a frente e deixavam instrumentos aparecerem apenas por alguns segundos. A mesma gravação ganhava outra vida quando voltava ao baile.[1][2]
King Tubby levou esse trabalho a um novo grau de precisão. Em suas mãos, a mesa de som se tornou parte da performance: canais entravam e saíam, ecos se prolongavam e a reverberação alterava o tamanho imaginário da sala. Lee “Scratch” Perry explorou a mesma liberdade como produtor, criando gravações em que arranjo, ambiente e acidente pareciam trabalhar juntos.[1]
O dub revelou quantas músicas ainda podiam existir dentro de uma gravação pronta. Essa maneira de produzir atravessou fronteiras e ajudou a mudar a relação de outros gêneros com o baixo, a repetição, o espaço e o próprio estúdio.[1]
No fim dos anos 1970, os bailes jamaicanos começaram a pedir outra energia. O dancehall trouxe riddims mais enxutos e colocou os deejays — artistas que falavam e improvisavam sobre as bases — no primeiro plano. As histórias da rua continuavam presentes, agora com outra linguagem, mais direta e moldada pela resposta imediata da pista.[1]
A produção digital acelerou essa transformação durante os anos 1980. Baterias eletrônicas e sintetizadores mudaram a textura da música, enquanto artistas e produtores atravessavam livremente as fronteiras entre roots e dancehall. Black Uhuru, acompanhado por Sly & Robbie, levou temas ligados ao roots para dentro desse novo ambiente e recebeu, em 1985, o primeiro Grammy dedicado ao reggae.[1][2][3]
Nos anos 1990, Garnett Silk e Luciano deram novo impulso ao reggae consciente dentro de uma cena já transformada pelo dancehall. Duas décadas depois, Chronixx e Protoje voltaram ao ska, ao roots e ao dub sem tentar reconstruir os anos 1970. Koffee pertence a uma geração ainda mais aberta, na qual reggae, dancehall, hip-hop e produção digital convivem sem fronteiras rígidas.[1][2][3][4][5][6]
O som instrumental que marcou a Kingston do começo dos anos 1960.
A voz de uma mudança que deu mais espaço ao baixo e às canções.
Um elo entre as primeiras fases da música popular jamaicana.
A projeção internacional que levou o reggae a novos públicos.
Memória africana, história jamaicana e permanência espiritual.
Canções em que independência e confronto político caminham juntos.
Uma trajetória entre o ska, o roots e a expressão Rastafári.
O estúdio aberto à invenção, ao acaso e à transformação.
A mesa de som tratada como parte da própria performance.
Harmonia vocal e comentário social em uma Jamaica sob pressão.
Carreira solo e I-Threes, com a experiência de mulheres negras em primeiro plano.
Uma ponte entre a consciência roots e o som dos anos 1980.
A retomada espiritual e social que ganhou força nos anos 1990.
Roots e Rastafári articulados no presente jamaicano.
A história da música jamaicana trabalhada com ferramentas contemporâneas.
Reggae e dancehall circulando em uma cena sem fronteiras rígidas.
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Black Uhuru, Sly & Robbie, o primeiro Grammy de reggae e o encontro entre roots e novas tecnologias.
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Chronixx e a renovação do roots ligado ao Rastafári no início da década de 2010.
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