Uma história global a partir dos anos 1970

Rock psicodélico

Os anos 1970 foram a grande década do rock psicodélico. O som criado no fim dos anos 1960 ganhou peso e novos ritmos no Brasil, no Peru, na Zâmbia e na Turquia. Santana, Os Mutantes, WITCH e Erkin Koray mostram como a mesma vontade de experimentar produziu músicas completamente diferentes.

  • Anos 1970
  • Tropicália
  • Chicha
  • Zamrock
  • Anadolu rock

Artistas de Rock psicodélico

38.523 artistas encontrados

Do fim dos anos 1960 à explosão dos anos 1970

No fim dos anos 1960, Jimi Hendrix levou o blues elétrico para dentro de um novo tipo de estúdio. Feedback, phasing, panorâmicas e fitas invertidas passaram a organizar a música. Os Beatles chegaram por outro caminho, desmontando a canção pop em arranjos, colagens e gravações em camadas.[1]

Na virada para os anos 1970, esse vocabulário já se abria em várias direções. Abraxas, de Santana, aproximou guitarra elétrica e percussão latina; o Pink Floyd trabalhou com peças mais longas e grandes contrastes de espaço e volume. A psicodelia entrou na nova década como uma licença para experimentar.

Hendrix, Beatles, Pink Floyd e Santana

Brasil e Peru transformam a psicodelia

A Tropicália chega aos anos 1970

No Brasil, a mudança já estava em curso antes da virada da década. A Tropicália aproximou a canção brasileira do pop internacional, da vanguarda e do clima político da ditadura. Com Os Mutantes e Gal Costa, essa tensão apareceu em guitarras distorcidas, arranjos de Rogério Duprat e canções que juntavam humor, ruído e melodia.[1][2]

A guitarra elétrica encontra a cumbia peruana

No Peru, a guitarra seguiu outro caminho. Los Mirlos e Juaneco y su Combo levaram timbres agudos e órgãos para a cumbia amazônica; mais tarde, Los Shapis ligaram essa herança à experiência urbana e andina da chicha. Ali, a repetição e o transe nasceram do próprio balanço da cumbia.[1]

Tropicália, cumbia amazônica e chicha

Zamrock e Anadolu rock nos anos 1970

Zâmbia: o surgimento do Zamrock

Na Zâmbia recém-independente, músicos combinaram rock pesado e psicodélico com instrumentos, línguas, ritmos e temas locais. Entre 1972 e 1980, o Zamrock acompanhou uma geração que ouvia discos estrangeiros sem abrir mão da própria experiência. WITCH, Amanaz e Ngozi Family ocuparam esse espaço com abordagens bem diferentes entre si.[1]

Turquia: o rock passa pela música da Anatólia

Na Turquia, a transformação ocorreu dentro da linguagem musical. Erkin Koray, Selda Bağcan e Moğollar aproximaram o rock de makam, ciclos rítmicos e métricas da poesia popular. No Anadolu rock, a tradição passou a conduzir a harmonia, o ritmo e a forma das canções.[1]

Zâmbia e Turquia: seis artistas dos anos 1970

A psicodelia depois dos anos 1970

Depois dos anos 1970, a psicodelia continuou mudando. Kikagaku Moyo trabalhou com repetição, improviso e instrumentos de corda em uma leitura japonesa do gênero. Tame Impala levou essa produção para dentro da canção pop, enquanto King Gizzard & the Lizard Wizard fez da mudança constante de formato parte da própria identidade.

Nos discos, essa continuidade aparece nas escolhas de masterização, capa, selo, país e formato. Uma obra pode atravessar dezenas de prensagens; comparar as edições ajuda a entender tanto a circulação da música quanto o objeto que chegou às lojas.

Kikagaku Moyo, Tame Impala e King Gizzard

Da década de 1960 ao presente, em sete discos

  • Are You Experienced

    Are You Experienced

    The Jimi Hendrix Experience · 1967

    1967

    Are You Experienced: blues elétrico e técnicas de estúdio no início da expansão psicodélica.

  • Os Mutantes

    Os Mutantes

    Os Mutantes · 1968

    1968

    Os Mutantes: guitarras, arranjos de Rogério Duprat e humor tropicalista.

  • Abraxas

    Abraxas

    Santana · 1970

    1970

    Abraxas: a guitarra de Santana em diálogo direto com percussão e ritmos latinos.

  • Introduction

    Introduction

    WITCH · 1973

    1973

    Introduction: a estreia de WITCH e um dos primeiros registros do Zamrock.

  • Elektronik Türküler

    Elektronik Türküler

    Erkin Koray · 1974

    1974

    Elektronik Türküler: rock, bağlama, makam e repertório popular turco.

  • Los Mirlos

    Los Mirlos

    Los Mirlos · 1982

    1982

    Los Mirlos: cumbia peruana conduzida por guitarras elétricas e órgão.

  • Masana Temples

    Masana Temples

    Kikagaku Moyo · 2018

    2018

    Masana Temples: uma leitura japonesa contemporânea, paciente e detalhada.

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Fontes e leituras

  1. 1
    Jimi Hendrix Experience Rock & Roll Hall of Fame,

    Studio technology, feedback, panning, backmasking and phasing in Hendrix's psychedelic blues.

  2. 2
    Tropicalismo Fifty Years Later Stanford Humanities Center,

    Tropicália as an approach to Brazilian song, international pop and cultural modernity; Bahia-São Paulo alliance and Os Mutantes.

  3. 3
    Tropicália EBC / Agência Brasil / Rádio MEC,

    Brazilian editorial archive on the 1968 festivals, artists and cross-disciplinary movement.

  4. 4
    Ciudad Chicha Instituto de Etnomusicología da Pontificia Universidad Católica del Perú,

    Documentary history of Peruvian cumbia told by participants and scholars.

  5. 5
    One Zambia, One Nation, One Zamrock: How Zamrockers Challenged Kaunda's Humanism Journal of Popular Music Studies / University of California Press,

    Zamrock as post-independence cosmopolitan creation using Zambian languages, rhythms, themes and instruments alongside heavy and psychedelic rock.

  6. 6
    The Musical Style of Anadolu Rock in the Formative Period (1965-1975) Eurasian Journal of Music and Dance,

    Musical analysis of Anadolu rock's combination of rock and roll with Turkish makam, rhythmic structures and folk-poetry meters.

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