Brasil, 1965 a 1968

MPB nos festivais

Em 1965, Elis Regina venceu com “Arrastão”. Nos anos seguintes, os palcos televisionados reuniram intérpretes, compositores e plateias que queriam decidir o que a canção brasileira podia dizer.

  • Canção brasileira
  • Vinil e CD

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“Arrastão”

Elis Regina entrou no palco do Festival da TV Excelsior para cantar “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. A música venceu, mas o que ficou na memória foi a interpretação: braços em movimento, voz sem contenção e uma cantora que fazia a canção parecer maior que o auditório.[1]

A televisão espalhou aquela imagem. Pouco depois, festivais de canção passaram a reunir compositores, intérpretes e plateias que queriam muito mais do que escolher uma vencedora. Queriam decidir o que podia soar brasileiro naquele momento.[1]

Elis Regina

Elis Regina

A vitória de 1965 deu à MPB uma intérprete que ocupava a câmera e mudava a escala da canção. A partir dali, performance e voz deixaram de ser detalhes de apresentação.

Festival
TV Excelsior, 1965
Canção
“Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes
Ver discografia de Elis Regina

Record, 1967

Dois anos depois, o Festival da Record reuniu três respostas diferentes para a canção brasileira no mesmo programa. “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, venceu. “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, ficou em segundo. “Roda Viva”, de Chico Buarque, em terceiro.[1]

A classificação conta só uma parte da noite. Gil e Caetano Veloso apresentaram canções que traziam guitarra, rádio e cultura pop para dentro de um ambiente onde muita gente ainda discutia se aquilo pertencia à música brasileira. Edu, Gil e Chico não disputavam apenas votos. Cada um trabalhava com uma ideia própria de canção, público e país.[1]

Nas cidades onde o festival chegava por videoteipe, o debate chegava junto: nos jornais, nas conversas, nas torcidas e nos discos que começavam a circular depois do programa.[1]

Edu, Gil e Chico

Maracanãzinho, 1968

No Festival Internacional da Canção de 1968, “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, venceu. A plateia queria outra música. “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, ficou em segundo, mas foi recebida como se a decisão tivesse sido sua.[1]

A vaia contra “Sabiá” não apaga a força da canção de Jobim e Chico. Ela mostra o tamanho da expectativa jogada sobre o palco. Para parte do público, “Caminhando” respondia de modo mais direto ao que acontecia fora do Maracanãzinho. Quando a canção foi censurada, aquela leitura ganhou ainda mais peso.[1]

A tensão não se resolve escolhendo uma das duas músicas. Ela explica por que a sigla MPB cresceu depressa e de forma desigual. Havia compositores interessados em canção de protesto, outros que abriam espaço para a experimentação tropicalista, e artistas que se moviam entre essas margens.[1][2]

Depois do Maracanãzinho

Gal Costa, 1968

No mesmo 1968, Gal Costa defendeu “Divino Maravilhoso” no IV Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record. A canção era de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para uma artista até ali apresentada como voz suave, a interpretação veio como grito.[1]

A Tropicália não cabe num rodapé dos festivais. Caetano, Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Capinam, Torquato Neto e Rogério Duprat trabalhavam com tradição da canção, pop internacional e experimentação de vanguarda. A discussão sobre o que podia ser MPB se alargou de vez.[1]

Gal, Bethânia, Nara e Tom Zé

Djavan, 1976

Em 1976, Djavan lançou A voz, o violão, a música de Djavan. “Flor de Lis” e “Fato Consumado” estavam ali. Dois anos depois, Maria Bethânia gravou “Álibi”, e as composições de Djavan passaram a aparecer também em vozes como Elis, Gal e Caetano.[1]

É uma boa virada para sair da imagem de uma MPB encerrada em 1968. O disco mantém a canção no centro, mas a leva a outros repertórios, outras escutas e outras parcerias. A história continua em álbuns, não apenas em datas de festival.[1]

Djavan, Marisa e Lenine

“Um corpo no mundo”

Em 2017, Luedji Luna lançou Um corpo no mundo, seu primeiro álbum autoral. As canções partem de suas vivências e perguntas como mulher negra e artista baiana. No disco seguinte, ela aproximou MPB, ritmos afro-brasileiros e jazz.[1]

Aqui a cronologia pede menos um rótulo do que atenção a cada projeto. A música brasileira contemporânea aparece por obras, vozes e pontos de partida que não precisam concordar entre si para conversar com a canção.[1]

Luedji, Liniker, Céu e Tulipa

  • Luedji Luna2017

    Luedji Luna

    Um corpo no mundo é o primeiro álbum autoral de Luedji Luna.

  • LinikerVoz

    Liniker

    Uma porta de entrada para voz, arranjo e presença no mesmo gesto.

  • CéuSão Paulo

    Céu

    Canções que aproximam MPB, pop e pista sem pedir licença.

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Fontes

  1. 1
    Cronologia Elis Regina,

    Registra a vitória de Elis Regina com Arrastão no Festival da TV Excelsior, em 1965.

  2. 2
    Tropicália de Gil e Caetano inova festival Memorial da Democracia,

    Documenta o Festival da Record de 1967, as classificações e a projeção televisiva.

  3. 3
    'Caminhando e cantando...' Memorial da Democracia,

    Documenta o Festival Internacional da Canção de 1968, Sabiá, Caminhando e a censura.

  4. 4
    Dia da MPB: qual é a sua história com a música brasileira? Itaú Cultural,

    Contextualiza a MPB como gênero reconhecido em meados dos anos 1960 e como campo plural.

  5. 5
    Resistência cultural: música Memorial da Democracia,

    Reúne contexto sobre festivais, Tropicália, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão e Clube da Esquina.

  6. 6
    Djavan: 75 anos Itaú Cultural,

    Situa os primeiros álbuns de Djavan, de 1976 e 1978, e a gravação de “Álibi” por Maria Bethânia.

  7. 7
    O som que fez o som de Luedji Luna Itaú Cultural,

    Entrevista sobre a trajetória de Luedji Luna e os discos “Um corpo no mundo” e “Bom mesmo é estar debaixo d’água”.

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