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Country: história sobre encontros

O country reúne baladas dos Apalaches, instrumentos de origem africana, blues, música religiosa e canções sobre a vida de quem trabalhava longe dos grandes centros. A indústria transformou esses encontros em um gênero. Os artistas continuaram mudando seus limites.

  • Estados Unidos
  • Século XX
  • Vinil e CD

Artistas de country

57.439 artistas encontrados

As origens do country

Músicos negros e brancos do sul dos Estados Unidos compartilhavam repertórios, técnicas e instrumentos muito antes de o country virar uma categoria comercial. O banjo descende de instrumentos africanos recriados nas Américas por pessoas escravizadas. Nos Apalaches, baladas britânicas conviviam com blues, música religiosa e canções populares que circulavam entre comunidades rurais.[1][2]

As gravadoras começaram a procurar novos públicos na década de 1920. Elas separaram parte desse repertório em discos chamados de "race music" e "hillbilly". Ralph Peer trabalhou com as duas categorias. A divisão organizava o mercado segundo linhas raciais, embora músicos e canções continuassem atravessando essas fronteiras.[1]

As sessões de Bristol, realizadas em 1927 na divisa entre Tennessee e Virgínia, levaram a Carter Family e Jimmie Rodgers ao disco. Rodgers combinou canções rurais com blues, jazz e cantos de trabalhadores negros das ferrovias. Maybelle Carter refinou sua maneira de tocar em contato com Lesley Riddle, músico negro que também ajudou A. P. Carter a reunir repertório.[1][2][3]

Os discos ampliaram o alcance dessa música. Também deram a produtores e gravadoras poder para escolher artistas, repertórios e categorias. Esse novo centro de decisão acabaria se concentrando em Nashville.

Artistas das primeiras gravações

  • DeFord Bailey

    DeFord Bailey

    A gaita de DeFord Bailey fez parte dos primeiros anos do Grand Ole Opry.

  • The Carter Family

    The Carter Family

    A Carter Family transformou repertórios transmitidos entre famílias e comunidades em gravações de alcance nacional.

  • Jimmie Rodgers

    Jimmie Rodgers

    Jimmie Rodgers aproximou blues, canções ferroviárias e música rural em uma voz reconhecível.

A indústria de Nashville

A rádio WSM começou a transmitir o programa que se tornaria o Grand Ole Opry em 1925. A entrada do Opry na rede nacional NBC, em 1939, levou suas apresentações a milhões de ouvintes. Artistas passaram a se mudar para Nashville em busca de espaço no programa, contratos, editoras e estúdios.[1]

O RCA Studio B abriu em 1957 e se tornou uma das bases do Nashville Sound. Produtores como Chet Atkins trocaram parte da aspereza do honky-tonk por arranjos suaves, coros e cordas. A sonoridade aproximou o country do mercado pop e consolidou Nashville como centro internacional de gravação.[1]

Esse sistema podia ampliar uma carreira e também limitar escolhas. Johnny Cash, Dolly Parton e Loretta Lynn trabalharam dentro da indústria de Nashville, mas levaram ao repertório experiências que não cabiam numa fórmula única: fé, pobreza rural, relações de trabalho e a vida das mulheres fora do papel decorativo.[1]

Vozes de Nashville

  • Johnny Cash

    Johnny Cash

    Johnny Cash aproximou o country de compositores ligados ao folk e ao rock.

  • Dolly Parton

    Dolly Parton

    Dolly Parton levou a tradição dos Apalaches para canções que alcançaram o público country e pop.

  • Loretta Lynn

    Loretta Lynn

    Loretta Lynn escreveu com franqueza sobre pobreza, trabalho doméstico e autonomia feminina.

O som de Bakersfield

Na Califórnia dos anos 1960, Buck Owens e Merle Haggard deram ao country um som mais alto e enxuto. Guitarras elétricas cortantes, steel guitar, violino e harmonias agudas funcionavam bem nos clubes e no rádio AM. A abordagem mantinha o pulso do honky-tonk e acrescentava a energia do rockabilly.[1]

Bakersfield mostrou que Nashville não controlava toda a música country. O sucesso de Owens e Haggard abriu espaço para artistas que preferiam bandas com identidade própria e gravações menos polidas.

Artistas de Bakersfield

  • Buck Owens

    Buck Owens

    Buck Owens e os Buckaroos deram projeção nacional ao som elétrico de Bakersfield.

  • Merle Haggard

    Merle Haggard

    Merle Haggard uniu o honky-tonk a histórias de trabalho, prisão e vida na Califórnia.

Autonomia no Texas

Waylon Jennings entrou em conflito com o controle dos produtores sobre repertório, estúdio e músicos. Willie Nelson deixou Nashville e voltou ao Texas, onde encontrou um circuito que aproximava públicos de country e rock. Os dois passaram a defender maior autonomia sobre seus discos.[1]

A indústria chamou essa movimentação de outlaw country. O nome sugeria rebeldia, mas a disputa era concreta: quem escolheria as canções, os arranjos e a banda. O sucesso comercial de Waylon e Willie ajudou a transferir parte desse poder para os artistas.[1]

Artistas do outlaw country

  • Waylon Jennings

    Waylon Jennings

    Waylon Jennings exigiu controle sobre repertório, estúdio e músicos.

  • Willie Nelson

    Willie Nelson

    Willie Nelson encontrou no Texas um caminho fora da rotina de produção de Nashville.

Mulheres no country

As mulheres já estavam nas gravações que formaram o country comercial. Sara e Maybelle Carter cantavam, tocavam e organizavam repertório desde as sessões de Bristol. Nas décadas seguintes, a indústria ainda costumava tratar cantoras como figuras secundárias ou encaixá-las em papéis estreitos.[1]

Dolly Parton e Loretta Lynn escreveram a partir da experiência de mulheres rurais e trabalhadoras. Parton preservou formas narrativas dos Apalaches enquanto circulava entre country e pop. Lynn usou linguagem direta para tratar de casamento, maternidade, pobreza e decisão pessoal. Suas carreiras mudaram o que uma compositora podia dizer dentro do mercado country.[1]

Artistas negros no country

DeFord Bailey foi uma das primeiras estrelas do Grand Ole Opry. Sua gaita imitava trens e animais, sons ligados à memória do trabalho e da vida rural. Mesmo popular no programa, Bailey enfrentava hotéis e restaurantes segregados durante as viagens.[1]

Charley Pride se tornou a primeira grande estrela negra do country na década de 1960. No início de sua carreira, a RCA evitou mostrar sua imagem aos radialistas. Quando o público descobriu que ele era negro, suas gravações já tocavam nas emissoras. O episódio revela o preconceito da indústria e também a existência de ouvintes negros que sempre acompanharam o gênero.[1][2]

Linda Martell foi a primeira mulher negra a se apresentar como solista no Grand Ole Opry, em 1969. Sua carreira foi curta, mas voltou ao centro da conversa décadas depois. Mickey Guyton e outros artistas retomaram publicamente a discussão sobre pertencimento, enquanto Beyoncé usou Cowboy Carter para percorrer country, folk, blues e outras tradições musicais dos Estados Unidos.[1][2][3]

Fronteiras do country

  • Charley Pride

    Charley Pride

    Charley Pride abriu uma carreira de grande alcance sem aceitar que sua voz fosse definida pela segregação.

  • Linda Martell

    Linda Martell

    Linda Martell levou uma mulher negra ao palco do Grand Ole Opry em 1969.

  • Mickey Guyton

    Mickey Guyton

    Mickey Guyton colocou raça e pertencimento no centro de suas canções country.

  • Beyoncé

    Beyoncé

    Cowboy Carter retomou as ligações do country com outras tradições musicais negras dos Estados Unidos.

O country contemporâneo

Hoje, o country inclui produções feitas em Nashville, gravações independentes, artistas ligados ao folk e à Americana, estrelas do pop e músicos que recuperam repertórios rurais esquecidos. A discussão sobre os limites do gênero continua porque essas fronteiras nunca foram apenas sonoras. Rádio, gravadoras, premiações e público também participam da decisão sobre quem pertence.[1][2]

As diferenças entre Carter Family, Charley Pride, Dolly Parton, Willie Nelson e os lançamentos recentes ficam mais claras quando os discos são ouvidos lado a lado. Cada gravação preserva escolhas sobre repertório, arranjo, público e pertencimento.

Os discos permitem seguir essas mudanças no som e também no objeto. Capas, créditos, repertório e produção mostram como cada época apresentou o country ao público. Comparar edições aproxima essa história da escuta e ajuda a escolher qual versão levar para a coleção.

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Fontes

  1. 1
    Appalachian Music Library of Congress,
  2. 2
    A Quest to Return the Banjo to Its African Roots Smithsonian Center for Folklife and Cultural Heritage,
  3. 3
    Ralph Peer Country Music Hall of Fame and Museum,
  4. 4
    Jimmie Rodgers Country Music Hall of Fame and Museum,
  5. 5
    Carter Family Country Music Hall of Fame and Museum,
  6. 6
    The Bakersfield Sound: Buck Owens, Merle Haggard, and California Country Country Music Hall of Fame and Museum,
  7. 7
    Waylon Jennings Country Music Hall of Fame and Museum,
  8. 8
    Dolly Parton Library of Congress,
  9. 9
    Charley Pride Country Music Hall of Fame and Museum,
  10. 10
    On Linda Martell and Country Music Library of Congress,
  11. 11
    From Where I Stand: The Black Experience in Country Music Country Music Hall of Fame and Museum,
  12. 12
  13. 13
    About the Historic RCA Studio B Country Music Hall of Fame and Museum,
  14. 14
    Country's Grandest Stage: The Opry at 100 Country Music Hall of Fame and Museum,
  15. 15
    The Stringband Era: DeFord Bailey Country Music Hall of Fame and Museum,

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