Metallica · Master of Puppets · 1986
Quarenta anos de Master of Puppets
Master of Puppets não suavizou o thrash metal para alcançar um público maior. O Metallica ampliou o peso dos riffs, o alcance dos arranjos e a força das ideias. Quatro décadas depois, o disco continua mostrando até onde uma banda de metal pode levar sua linguagem.
- Metallica
- Master of Puppets
- Thrash metal
- 1986
- Vinil e CD
Um disco extremo com ambição de clássico
Quando Master of Puppets chegou às lojas, em 3 de março de 1986, o Metallica ainda crescia pela estrada, pelas fitas trocadas entre fãs e pela reputação dos shows. Não havia um single desenhado para o rádio, um refrão domesticado ou uma tentativa de caber no mercado. Havia músicas longas, riffs cortantes e uma banda convencida de que o thrash metal podia sustentar algo tão grandioso quanto qualquer clássico do rock.[5][9]
A grandeza veio justamente dessa confiança. James Hetfield e Lars Ulrich conduzem as músicas como peças inteiras, não como coleções de riffs. Kirk Hammett abre caminhos melódicos dentro da violência, enquanto Cliff Burton leva harmonia, contraponto e uma sensibilidade quase sinfônica para o centro da banda. Juntos, os quatro fizeram um álbum pesado sem ser estreito, técnico sem perder o impacto e complexo sem soar distante.[4]
A escala de Master of Puppets
- Gravado em
- Copenhague, set–dez 1985
Gravado no Sweet Silence Studios com o produtor e engenheiro Flemming Rasmussen.
A formação que tornou essa grandeza possível
Master of Puppets
James Hetfield toca a guitarra-base com uma precisão que dá peso até ao silêncio entre as notas. Lars Ulrich pensa em movimentos, entradas e mudanças de escala. Kirk Hammett coloca melodia onde outra banda talvez buscasse apenas velocidade. Cliff Burton amplia o vocabulário harmônico do grupo e faz o baixo participar da composição. Master of Puppets é o momento em que essas quatro personalidades deixam de disputar espaço e passam a soar como uma única força.
- Artista
- Metallica
- Estilo
- Thrash metal / heavy metal
Quatro faixas que explicam o tamanho do álbum
Battery abre com violões harmonizados, quase como se outro disco estivesse começando. Quando a banda entra, a delicadeza não desaparece: ela torna a explosão ainda maior. Em poucos minutos, o Metallica mostra que velocidade e construção dramática podem ocupar a mesma música. É uma porta de entrada perfeita para um álbum que nunca confunde peso com volume constante.[4][3]
Na faixa-título, o riff parece grande o bastante para definir sozinho uma era do metal. Mas Master of Puppets cresce porque não se limita a ele. A seção instrumental muda a luz da música, cria espaço para as guitarras respirarem e faz o retorno do tema soar ainda mais dominante. Welcome Home (Sanitarium) trabalha de outra forma: começa contida, acumula tensão e transforma a própria estrutura em uma fuga.[4][3]
Orion revela a amplitude daquela formação sem precisar de uma única palavra. O baixo de Cliff Burton conduz passagens, as guitarras se encontram em harmonias e a banda trata um instrumental de mais de oito minutos como parte central do álbum. Ao lado de Battery, Master of Puppets e Sanitarium, a faixa ajuda a explicar por que o disco ultrapassou o thrash metal sem deixar o gênero para trás.[4][3]
Do underground às arenas
Set–dez 1985
Quatro músicos entram no Sweet Silence
O Metallica voltou a Copenhague para trabalhar com Flemming Rasmussen. A banda chegou mais segura, com ambições maiores e uma linguagem própria já formada. O estúdio deu clareza a essa força sem polir o que havia de agressivo nas músicas.[4]
3 de março de 1986
O thrash metal ganha um novo tamanho
O terceiro álbum do Metallica alcançou ouvintes muito além do circuito que havia sustentado a banda até ali. Na turnê de abertura para Ozzy Osbourne, o grupo levou aquelas músicas a arenas e conquistou um público que talvez nunca tivesse encontrado uma fita de metal underground.[5][6]
27 de setembro de 1986
A formação é interrompida no auge
O acidente com o ônibus da turnê na Suécia matou Cliff Burton aos 24 anos. Master of Puppets se tornou o último álbum concluído por aquela formação. Sua morte não explica a importância do disco, mas torna impossível ouvi-lo sem reconhecer o futuro musical que também desapareceu naquela estrada.[6][4]
Seleção de 2015
10 de novembro de 2017
O arquivo do disco volta ao vinil e ao CD
A remasterização de 2017 trouxe novas edições em vinil e CD, além de uma caixa com demos, mixagens preliminares, entrevistas, shows e material visual. As reedições transformaram o processo de criação em parte da experiência física do álbum.[2]
3 de março de 2026
A grandeza continua audível
Quatro décadas depois, Master of Puppets atravessa gerações em prensagens originais, reedições em vinil, CDs, caixas de arquivo e novos formatos. O suporte muda, mas a experiência permanece: colocar o disco para tocar ainda é ouvir uma banda descobrindo o tamanho que sua música poderia alcançar.[5][1]
Master of Puppets em vinil
A prensagem americana da Elektra
No vinil, Master of Puppets ocupa quatro faixas de cada lado. A pausa depois de Welcome Home (Sanitarium) divide o álbum em duas metades e dá a Disposable Heroes a função de reabrir o ataque. A capa de Don Brautigam ganha presença no formato de 12 polegadas, enquanto o encarte preserva letras e créditos como parte da obra. A edição americana de 1986 representada no Garimpa permite explorar o disco como ele chegou ao primeiro público.
- Selo
- Elektra
- Número de catálogo
- 60439-1
- Formato
- LP de 12 polegadas
- País
- Estados Unidos
Master of Puppets dentro da discografia do Metallica
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Explorar discos de thrash metalFontes e leituras adicionais
- 1National Recording Registry Frequently Asked Questions — Library of Congress,
Explicação oficial dos critérios de relevância e preservação do National Recording Registry.
- 2Obey Your (Re)Master — Metallica,
Detalhes oficiais da remasterização de 2017 e das edições físicas montadas com o arquivo da banda.
- 3Master of Puppets — Wikipédia,
Referência inicial da pauta; datas, gravação e reconhecimento pelo National Recording Registry foram conferidos em fontes do Metallica e da Library of Congress.
- 4Master of Puppets — Metallica,
Faixas e ficha técnica oficiais: período no Sweet Silence, produção, mixagem, masterização e créditos da capa.
- 5Metallica Discography — Metallica,
Data oficial de lançamento, 3 de março de 1986, e posição como terceiro álbum de estúdio do Metallica.
- 6Metallica History — Metallica,
Relato oficial sobre a ascensão do disco, a turnê com Ozzy Osbourne e a morte de Cliff Burton em 27 de setembro de 1986.
- 7National Recording Registry Recognizes ‘Mack the Knife,’ Motown and Mahler — Library of Congress,
Anúncio oficial das seleções de 2015 para o National Recording Registry, entre elas Master of Puppets.
- 8They Will Survive: The 2015 National Recording Registry — Library of Congress,
Texto da Library of Congress que identifica Master of Puppets como o primeiro álbum de heavy metal do Registry.
- 9Master of Puppets: Metallica (1986) — Library of Congress,
Ensaio ampliado de Daniel Bukszpan sobre a relevância musical e cultural do álbum.