Coleção • 1988–2010

30 discos para ouvir a história do rap nacional

Dos primeiros LPs paulistanos às conexões de Brasília, Rio, Recife, Porto Alegre e uma nova geração independente, estes discos mostram como o rap brasileiro transformou rua, raça, território e memória em linguagem própria.

  • 30 discos
  • 1988–2010
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Hip-Hop Cultura De Rua
Editorial Garimpa.Club

Coleção editorial

Rap nacional histórico: 30 discos (1988–2010)

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  • A marcha fúnebre prossegue

    A marcha fúnebre prossegue

    Facção Central · 2001

  • A Noiva do Thock

    A Noiva do Thock

    Visao De Rua · 2004

  • Ainda há tempo

    Ainda há tempo

    Criolo · 2006

  • Antigamente Quilombos Hoje Periferia

    Antigamente Quilombos Hoje Periferia

    Z'Africa Brasil · 2002

  • Babylon by Gus, Volume I: O ano do macaco

    Babylon by Gus, Volume I: O ano do macaco

    Black Alien · 2004

  • Cada Vez Mais Preto

    Cada Vez Mais Preto

    DMN · 1993

  • Cadeia nacional

    Cadeia nacional

    Pavilhão 9 · 1997

  • Cinco Elementos

    Cinco Elementos

    Da Guedes · 1999

  • Como é Triste de Olhar

    Como é Triste de Olhar

    Faces do Subúrbio · 2000

  • Consciência Black

    Consciência Black

    Various · 1990

  • Dia A Dia Da Perigeria Single Ed. Limitada

    Dia A Dia Da Perigeria Single Ed. Limitada

    GOG · 1994

  • Eu tiro é onda

    Eu tiro é onda

    Marcelo D2 · 1998

  • Fita Embolada Do Engenho Vol. 1

    Fita Embolada Do Engenho Vol. 1

    RAPadura · 2010

  • Flora Matos vs Stereodubs

    Flora Matos vs Stereodubs

    Flora Matos · 2009

  • Guerreiro, Guerreira

    Guerreiro, Guerreira

    Helião, Negra Li · 2005

  • Hip-Hop Cultura De Rua

    Hip-Hop Cultura De Rua

    Various · 1988

  • Holocausto Urbano

    Holocausto Urbano

    Racionais MC's · 1991

  • Na Sua Mais Perfeita Ignorância

    Na Sua Mais Perfeita Ignorância

    De Menos Crime · 1995

  • Non Ducor Duco

    Non Ducor Duco

    Kamau · 2008

  • Pergunte a quem conhece

    Pergunte a quem conhece

    Thaíde & DJ Hum · 1989

  • Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe...

    Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe...

    Emicida · 2009

  • Raio-x do Brasil

    Raio-x do Brasil

    Racionais MC’s · 1993

  • Rap é Compromisso

    Rap é Compromisso

    Sabotage · 2000

  • Se tu lutas tu conquistas

    Se tu lutas tu conquistas

    Somos Nós A Justiça · 2000

  • Sobrevivendo no inferno

    Sobrevivendo no inferno

    Racionais MC’s · 1997

  • Sub-Raça

    Sub-Raça

    Câmbio Negro · 1993

  • Sujeito Homem

    Sujeito Homem

    Rappin’ Hood · 2001

  • Todos São Manos

    Todos São Manos

    RZO · 1999

  • Traficando Informação

    Traficando Informação

    MV Bill · 1999

  • Usuário

    Usuário

    Planet Hemp · 1995

Quando a rua entrou no disco

Em 1988, Hip-Hop Cultura de Rua levou ao LP vozes que circulavam por encontros, bailes e espaços públicos de São Paulo. O registro não inaugura sozinho a cultura hip-hop brasileira, mas preserva um momento em que MCs e DJs começavam a construir uma discografia própria. Pouco depois, Consciência Black reuniu faixas dos Racionais MC's e “Nossos Dias”, de Sharylaine, apontada por pesquisadores como a primeira mulher a gravar rap no país.[1]

A passagem para o vinil e, depois, para o CD deu permanência a uma música criada para circular de mão em mão, no rádio, nos bailes e nas ruas. Selos como Zimbabwe, Cosa Nostra e produções independentes não serviram apenas para fabricar discos: ajudaram artistas a controlar narrativa, linguagem e distribuição.[1][3]

1988–1995: os primeiros registros e a formação de cenas

  • Hip-Hop Cultura De Rua

    Hip-Hop Cultura De Rua

    Various · 1988

    1988

    Coletânea que fixou em LP um dos primeiros retratos do rap feito nas ruas de São Paulo.

  • Pergunte a quem conhece

    Pergunte a quem conhece

    Thaíde & DJ Hum · 1989

    1989

    Thaíde & DJ Hum ampliam a linguagem registrada no ano anterior e afirmam a dupla MC–DJ.

  • Consciência Black

    Consciência Black

    Various · 1990

    1990

    Coletânea com Racionais MC's e Sharylaine, voz pioneira das mulheres no rap gravado.

  • Holocausto Urbano

    Holocausto Urbano

    Racionais MC's · 1991

    1991

    Racionais MC's narram racismo, violência e vida periférica com uma dicção que marcaria a década.

  • Cada Vez Mais Preto

    Cada Vez Mais Preto

    DMN · 1993

    1993

    DMN coloca identidade negra e consciência racial no centro de sua estreia em álbum.

  • Sub-Raça

    Sub-Raça

    Câmbio Negro · 1993

    1993

    Câmbio Negro dá peso próprio à cena de Brasília e leva outro sotaque ao mapa do rap.

  • Raio-x do Brasil

    Raio-x do Brasil

    Racionais MC’s · 1993

    1993

    Racionais transformam bairro, trabalho e violência em crônicas de alcance nacional.

  • Dia A Dia Da Perigeria Single Ed. Limitada

    Dia A Dia Da Perigeria Single Ed. Limitada

    GOG · 1994

    1994

    GOG descreve Brasília por dentro e aproxima periferias separadas por milhares de quilômetros.

  • Usuário

    Usuário

    Planet Hemp · 1995

    1995

    Planet Hemp conecta rap, rock e confronto político a partir do Rio de Janeiro.

  • Na Sua Mais Perfeita Ignorância

    Na Sua Mais Perfeita Ignorância

    De Menos Crime · 1995

    1995

    De Menos Crime registra a Zona Leste paulistana sem suavizar seus conflitos.

Periferias em conexão

Na década de 1990, o rap passou a ligar bairros e cidades sem apagar as diferenças entre eles. São Paulo seguia como polo fonográfico, mas Brasília falava por Câmbio Negro e GOG; o Rio aparecia pela mistura contundente do Planet Hemp e, mais tarde, pela escrita de MV Bill. A periferia deixava de ser apenas um endereço e se tornava uma experiência compartilhada — reconhecível entre a Estrutural, Pirituba, Capão Redondo e Cidade de Deus.[2][5]

Essa rede também mudou o som. O rap encontrou o hardcore em Cadeia Nacional, o samba em Eu Tiro É Onda e Sujeito Homem, a produção gaúcha em Cinco Elementos e a embolada pernambucana em Como É Triste de Olhar. As aproximações não dissolveram a identidade do gênero; ampliaram as maneiras de contar o Brasil.[4][3]

1997–2001: alcance nacional e novas misturas

  • Sobrevivendo no inferno

    Sobrevivendo no inferno

    Racionais MC’s · 1997

    1997

    Racionais alcançam nova escala sem abandonar a perspectiva construída nas periferias.

  • Cadeia nacional

    Cadeia nacional

    Pavilhão 9 · 1997

    1997

    Pavilhão 9 cruza hardcore e rap para dar forma física à tensão urbana.

  • Eu tiro é onda

    Eu tiro é onda

    Marcelo D2 · 1998

    1998

    Marcelo D2 aproxima rap e samba em um disco decisivo para a linguagem carioca.

  • Todos São Manos

    Todos São Manos

    RZO · 1999

    1999

    RZO cria pontes entre Pirituba, Brasília e outras quebradas em uma ideia coletiva de periferia.

  • Traficando Informação

    Traficando Informação

    MV Bill · 1999

    1999

    MV Bill leva a Cidade de Deus ao centro da narrativa do rap carioca.

  • Cinco Elementos

    Cinco Elementos

    Da Guedes · 1999

    1999

    Da Guedes firma Porto Alegre no circuito nacional com produção e repertório próprios.

  • Rap é Compromisso

    Rap é Compromisso

    Sabotage · 2000

    2000

    Sabotage combina denúncia, humor e afeto em um álbum que atravessou gerações.

  • Se tu lutas tu conquistas

    Se tu lutas tu conquistas

    Somos Nós A Justiça · 2000

    2000

    SNJ transforma disciplina, luta e conquista em um dos refrões duradouros do período.

  • Como é Triste de Olhar

    Como é Triste de Olhar

    Faces do Subúrbio · 2000

    2000

    Faces do Subúrbio leva a experiência de Recife ao rap sem separar rima, embolada e território.

  • A marcha fúnebre prossegue

    A marcha fúnebre prossegue

    Facção Central · 2001

    2001

    Facção Central constrói um relato frontal sobre violência, Estado e sobrevivência.

Outras rotas para o rap

Sobrevivendo no Inferno marcou a consolidação do rap brasileiro no fim dos anos 1990, mas sua força também aparece nas conversas que o período tornou possíveis. GOG, RZO e Sabotage aproximaram periferias distantes; MV Bill, Facção Central e outros artistas disputaram as imagens de violência produzidas de fora para dentro, devolvendo nome, contexto e voz a quem aparecia apenas como estatística.[1][2][3]

Nos anos 2000, a circulação independente ganhou novas ferramentas e novos protagonistas. Visão de Rua e Negra Li ampliaram a presença feminina; Criolo, Kamau, Emicida e Flora Matos anunciaram outra escala de produção e público; RAPadura fechou a década fazendo o encontro entre rima, embolada e baião soar como linguagem presente, não como citação do passado.[1]

2001–2010: autonomia, novas vozes e uma geração em trânsito

  • Sujeito Homem

    Sujeito Homem

    Rappin’ Hood · 2001

    2001

    Rappin' Hood faz o rap conversar com samba e embolada sem apagar sua base paulistana.

  • Antigamente Quilombos Hoje Periferia

    Antigamente Quilombos Hoje Periferia

    Z'Africa Brasil · 2002

    2002

    Z'África Brasil liga memória quilombola e vida periférica em uma mesma continuidade histórica.

  • Babylon by Gus, Volume I: O ano do macaco

    Babylon by Gus, Volume I: O ano do macaco

    Black Alien · 2004

    2004

    Black Alien organiza fluxo, dub e observação urbana em um disco de linguagem muito própria.

  • A Noiva do Thock

    A Noiva do Thock

    Visao De Rua · 2004

    2004

    Dina Di conduz o Visão de Rua em um registro central para a presença feminina no rap dos anos 2000.

  • Guerreiro, Guerreira

    Guerreiro, Guerreira

    Helião, Negra Li · 2005

    2005

    Helião e Negra Li dividem o microfone em um álbum de confronto, relato e afirmação.

  • Ainda há tempo

    Ainda há tempo

    Criolo · 2006

    2006

    Criolo registra a inquietação de uma geração antes de alcançar um público mais amplo.

  • Non Ducor Duco

    Non Ducor Duco

    Kamau · 2008

    2008

    Kamau combina precisão de escrita, produção independente e uma São Paulo em transformação.

  • Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe...

    Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe...

    Emicida · 2009

    2009

    Emicida converte batalhas, circulação direta e trabalho independente em uma nova escala de público.

  • Flora Matos vs Stereodubs

    Flora Matos vs Stereodubs

    Flora Matos · 2009

    2009

    Flora Matos afirma autoria e presença feminina na virada entre mixtape, CD e internet.

  • Fita Embolada Do Engenho Vol. 1

    Fita Embolada Do Engenho Vol. 1

    RAPadura · 2010

    2010

    RAPadura une rap, embolada, baião e imaginário nordestino sem tratar tradição como ornamento.

Da história para a sua estante

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Fontes e leituras

  1. 1
    Hip hop começa a se consolidar como campo de estudos acadêmicos Revista Pesquisa FAPESP,

    Síntese histórica sobre os primeiros registros fonográficos, Sharylaine e a consolidação do rap brasileiro.

  2. 2
    Hip-hop, disputas de representação e afirmação de periferia como agrupamento social Revista Tempo / SciELO Brasil,

    Análise das conexões entre GOG, Racionais MC's, RZO e Sabotage e da periferia como identidade translocal.

  3. 3
    O negro drama do rap: entre a lei do cão e a lei da selva Estudos Avançados / SciELO Brasil,

    Discussão histórica sobre Racionais MC's, Sabotage, Rappin' Hood e a abertura de novas linguagens no rap.

  4. 4
    Um mapa das relações entre o rap das periferias de São Paulo e o samba Revista do Instituto de Estudos Brasileiros / SciELO Brasil,

    Pesquisa sobre diálogos do rap paulista com o samba e outras tradições da música negra brasileira.

  5. 5
    Genealogia do espanto: Heloisa Buarque de Hollanda e a virada periférica Sociologias / SciELO Brasil,

    Contextualiza MV Bill, Racionais MC's e GOG como vozes de diferentes periferias brasileiras.